Hora Leandro (I);

(Dia 12 Janeiro, 14 horas, Velório de Alexandra)

-…E é em nome dela que devemos permanecer nesta terra, até que o altíssimo tenha outro destino para nós…
Contorcia-me numa mistura de infelicidade, ódio e desprezo… Olhava para a carta que a Xana tinha deixado antes de partir… Estava esmagada pela minha mão…
-Acho agora que o irmão da Alexandra tem umas palavras a dizer.
O padre olhou para mim por debaixo dos óculos…
-Não estou certo? – Disse ele com ar confiante.
Levantei-me do banco e caminhei para o altar onde vi a imagem da Xana pálida…
“Eu não sei muito bem que dizer” Olhava e via lá os meus amigos e os da minha irmã “Todos nós vamos sentir falta da Xana e todos vamos lutar para contrariar a infelicidade da ausência dela…” Olhei para o meu pai de rosto gélido e para a minha mãe destroçada… Ia para sair do altar quando mais uma vez olhei para a carta… e voltei a olhar para todos os presentes! “E hei-de encontrar o responsável pela razão a qual a minha irmã se suicidou”
Todos ficaram com o medo cravado no rosto…
-Mas… - Disse o padre.
“Vamos levar então o caixão para a carrinha!”